Manifestantes fazem ato por Marielle Franco e Anderson Gomes desde às 6h deste sábado (14) (Foto: Marcos Serra Lima /G1)

Foram 13 tiros por volta das 21h da quarta-feira, 14 de março de 2018. Há um mês, o mundo se chocava com a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, executados dentro do carro no bairro do Estácio, no Centro do Rio. Passado um mês do crime, atos se multiplicam em homenagens à vereadora neste sábado (14), enquanto a polícia segue com poucas respostas sobre o caso.

São realizados eventos durante a manhã e à tarde. No Largo do Machado, manifestantes se concentram desde 6h. Políticos como o deputado estadual Marcelo Freixo, o vereador Tarcísio Motta e o pré-candidato à presidência Guilherme Boulos, todos do PSOl, estiveram no local.

Investigação complexa

Desde que o crime ocorreu, a Polícia Civil e o Ministério Público procuram rastrear o sinal dos celulares no trajeto feito pelo carro da vereadora, um Agile Branco. As informações coletadas são das 26 antenas de celulares do trajeto feito pelo carro em que estava Marielle, entre um evento na rua dos Inválidos, na Lapa, e na esquina das ruas João Paulo II e Joaquim Palhares, no Estácio, onde o carro foi atingido com vários tiros. Poucas informações foram passadas oficialmente pelos órgãos responsáveis, que consideram o caso um “quebra-cabeças” muito complexo.

Nesta semana, a polícia civil, com ajuda de policiais federais, encontrou partes de digitais em cápsulas usadas no crime, e está comparando com as digitais de dois homens mortos esta semana: O PM reformado Anderson Claudio da Silva e o líder comunitário Carlos Alexandre Pereira, que trabalhava como colaborador do vereador Marcello Siciliano, do PHS.

Os investigadores dizem que, por enquanto, os dois mortos não são considerados suspeitos.

Autoridades se reúnem na DH para debater caso Marielle; Investigação é considerada complexa, um "quebra-cabeças" (Foto: Henrique Coelho/G1)

Autoridades se reúnem na DH para debater caso Marielle; Investigação é considerada complexa, um “quebra-cabeças” (Foto: Henrique Coelho/G1)

Os agentes, com ajuda de outros setores da Polícia Civil, analisam e tentam cruzar os sinais fornecidos por cinco operadoras. O objetivo é, posteriormente, tentar identificar os números que conversaram, no trajeto feito pelo carro onde estava Marielle, antes e depois da execução.

As ligações entre o crime e as críticas de Marielle ao trabalho do 41º BPM (Acari), em um evento no qual esteve dias antes de morrer, e possíveis desavenças de Marielle com indiciados na CPI das Milícias, em 2008, são apuradas. A possibilidade de a execução da vereadora estar envolvida com seu trabalho na política também não está descartada. No entanto, segundo policiais ligados ao caso, não há uma linha de investigação mais forte até o momento.

Órgãos pedem prioridade

A Anistia Internacional pede prioridade na investigação do caso. No entendimento da Anistia, a cada dia em que o crime permanece sem resposta, aumentam as ameaças contra defensores dos direitos humanos no Brasil.

Emoção na Cinelândia, na vigília em homenagem a Marielle Franco um dia após sua morte (Foto: Marcos Serra Lima / G1)

Emoção na Cinelândia, na vigília em homenagem a Marielle Franco um dia após sua morte (Foto: Marcos Serra Lima / G1)

A Anistia pede uma “investigação imediata, completa, imparcial e independente, que não apenas identifique os atiradores, mas também os autores intelectuais do crime”.

“Trinta dias depois do assassinato da Marielle, o estado ainda não deu uma resposta, não respondeu quem matou a Marielle. Isso é muito grave. Então, a Anistia relembra o estado brasileiro e ao estado do Rio de Janeiro, que eles devem responder à altura da gravidade desse assassinato”, disse Renata Neder, coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional.

Até agora, o Disque Denúncia já recebeu 97 denúncias sobre esse caso.

Fonte: G1

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