Fernando Frazão - ABR

A proposta do candidato presidente Jair Bolsonaro (PSL) pela reformulação do Estatuto do Desarmamento como um modo de garantir a defesa do cidadão e de sua propriedade pode, na verdade, significar um verdadeiro “tiro no pé”. Apesar de se afirmar pela defesa da vida do policial, para a antropóloga, cientista política e docente em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jaqueline Muniz, o resultado do projeto de Bolsonaro produzirá um efeito totalmente inverso, com o aumento da letalidade e, até mesmo, da vitimização dos profissionais da segurança pública.

“Hoje o policial recebe duas carteiras: uma de trabalho e outra, o atestado de óbito. E e mais, todo mundo odeia a polícia. Não pode. Nós temos que resgatar o sentido de autoridade e isso se faz com profissionalização, não com ‘peito de pombo’, com gritaria, com cara feia e soco na mesa”, ressalta a especialista, em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, nesta segunda-feira (8), à Rádio Brasil Atual.

O sentido de autoridade e a retomada do profissionalismo proposto por Jacqueline, recupera o papel da polícia dentro de uma democracia, que passa pela distinção dos agentes da segurança pública de um “bando armado” e sim como base de estrutura dos direitos dos cidadãos como um todo. A professora afirma ainda que a lógica de armar a população dará base para a “síndrome da pequena autoridade”, com cidadãos comuns “dando carteirada” na própria polícia.

“As propostas do Bolsonaro são um blefe. Basicamente dizem para a população: ‘se vira meu irmão, se vira aí, cata uma arma e vai resolver suas pendências na esquina que o Estado está ali, dando uma banana'”, ironiza Jacqueline. Ela acrescenta que a própria ideia de armamento desconsidera todo o custeio que pode chegar a, no mínimo, R$ 10 mil reais para cada pessoa. “Quem vai gastar ou pegar um empréstimo para comprar uma arma e continuar com péssimas condições de vida e ainda mais inseguro, porque o seu vizinho pode estar mais bem armado que você?”, questiona.

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